Em 1953, por meio de apoio de figurões políticos sancarlenses da época é fundada a Escola de Engenharia de São Carlos. Pouco depois do início das aulas a primeira turma cria, no dia 22 de abril, o centro acadêmico ao qual dão o nome do governador do estado a época da fundação da USP: Armando de Salles Oliveira. Fundado para representar os estudantes do campus na defesa pela educação pública e qualidade do ensino, o CAASO teve a partir de então uma atuação fundamental na história do campus São Carlos e da história da política nacional.
Ainda no seu primeiro ano de existência o CAASO adere à greve geral dos universitários brasileiros contra o atentado físico sofrido por universitários de Goiânia e Aracaju. A mobilização feita por 48 horas foi a primeira de muitas grandes mobilizações produzidas pelo centro acadêmico ao longo de sua história.
Em seu primeiro aniversário criou-se o primeiro jornal chamado Neftur, que a partir daí figuraria como importante forma de comunicação entre os estudantes fazendo desde análises críticas das conjunturas política nacional e do campus até colunas sociais com piadas e relatos de fatos engraçados. Seguiu-se ao longo do ano uma greve em apoio às mobilizações que exigiam da direção o reconhecimento do Grêmio Politécnico. Em meio à crise política vivida pelo país em 1954 (marcada pela morte do então presidente Getúlio Vargas), o CAASO lançou-se na campanha em defesa do cumprimento da constituição – convocando o povo e as forças armadas (que num futuro breve travariam uma batalha épica com o centro) a lutar pela preservação da Carta Magna.
A primeira passeata de rua registrada foi em 28 de maio de 1956. O ato foi um protesto contra o espancamento de um estudante do campus que havia sido preso na noite anterior pela polícia. Os anos seguintes não foram diferentes e o centro acadêmico não fugiu à luta: foi decretada em 1957 uma greve continental que teve como motivação a morte de estudantes em Cuba, à qual o CAASO aderiu. Seguiu-se (em 1958) a adesão à greve decretada pela União Estadual dos Estudantes de São Paulo por uma melhor distribuição de estrangeiros. Até o final da década o CAASO segue sua história nem só com lutas. A sua boa relação com a sociedade sancarlense existem publicações do Neftur que dizem sobre a criação da “Garota Engenharia” que elegia “a mais querida e simpática” moça da cidade bem como, existem registros das moças da cidade fazerem eleições dos rapazes mais distintos e belos da escola.
A década de 60 inicia-se com fatos políticos que exigiram respostas forte por parte dos estudantes que por sua vez não deixaram de fazê-lo. Ao final de 1960 foi criada a Universidade Federal de São Carlos e na lei que a criou a EESC incluía-se nesta nova universidade. A época baseados no argumento de não ser legítima a intervenção da União na autonomia estadual e na satisfação por fazer parte da USP os estudantes e professores colocaram-se contra o processo de federalização.
Porém, ainda viria na década de 60 um dos processos históricos mais marcantes pelo qual passou o CAASO. Com a renúncia do presidente da república Jânio Quadros os militares e outros setores da sociedade não queriam deixar o então vice-presidente João Goulart assumir o seu cargo de direito. Sob esse contexto o CAASO entrou em greve no dia 28 de agosto de 1961 reivindicando que a Constituição de 1946 fosse obedecida. A greve teve seu fim cerca de dez dias após o início e ao longo dos anos seguintes houveram importantes mobilizações internas a universidade. O CAASO juntamente com o Diretório Central dos Estudantes da USP (DCE) estiveram mobilizados contra o Decreto-Lei que tratava da jubilação e da Greve do 1/3 que foi vitoriosa em exigir a participação de representação estudantil nos conselhos administrativos da USP.
CAASO CONTRA O GOLPE: Em 07/10/1963 realizou-se uma Assembléia para tratar do tenso momento político nacional. Ficou nessa assembléia deliberada uma comissão responsável por direcionar as atitudes do campus frente ao estado de exceção decretado pelo governo que escreveu um manifesto intitulado “CAASO contra o golpe (1)” além da greve estudantil. O manifesto fora recebido pela população como uma opinião de meia dúzia de comunistas foi então que a Assembléia Geral Permanente no dia 08/10/1963 deliberou uma passeata para mostrar à população a representatividade do documento o protesto serviu também para mostrar a insatisfação contra a agressão sofrida por companheiros manifestantes.
Todas as manifestações que previam o golpe em 63 estavam certas e a 1° de Abril de 1964 os estudantes se reuniram em assembléia com o golpe militar em vias de fato e entram em greve o CAASO foi o primeiro a entrar em greve e o último a sair dela. Tão breve tiveram início as medidas repressoras do governo: foram feitas tentativas de extinguir os centros acadêmicos e diretórios estudantis e foram extintas as representações discentes nos órgãos administrativos. Posteriormente foram feitos os diretórios acadêmicos pelegos vinculados a universidade com voto obrigatório sob pena de ser reprovado outras medidas como novas regras mais rígidas de jubilação foram criadas e os estudantes continuaram sua mobilização.
Em 1967 a Assembléia dos Estudantes se declara permanente até que os excedentes (alunos que obtinham média mínima nos vestibulares, mas não conseguiam vagas), fossem admitidos na Universidade. Em 68 foi feita a primeira tiragem da revista O CAASO com 1500 exemplares que foi distribuída amplamente e no XIX da UEE o Presidente do CAASO acabou preso enquadrado na lei de segurança nacional. Até o fim da década o centro acadêmico seguiu sua luta contra a ditadura com mobilizações repercutindo fortemente na sociedade.
A década de 70 foi marcada pela luta do CAASO contra o ensino pago que, com um documento aqui escrito, causou repercussão nacional e foi encampado pela grande maioria dos centros acadêmicos do país. Além disso a década marcou a reorganização administrativa e remodelação física do CAASO, com atividades culturais, educacionais e recreativas com a participação de todos os alunos do Campus e moradores de São Carlos. Além disso, o CAASO dribla a mais feroz censura existente no país expondo no Jornal Mural todas as notícias que não saíram nos outro jornais barradas pela censura. Outro fato histórico foi o que o centro acadêmico manda rezar uma missa de 7º dia, em suas instalações, pelo estudante de geologia da USP, Alexandre Vanuchi Leme, morto pela repressão; foi a maneira encontrada, dentro da situação vigente, de mostrar à sociedade os crimes cometidos pela ditadura militar; o lema da missa era: “podia ser seu filho”. Foi também o CAASO um dos responsáveis por reconstruir a UNE através dos Seminários Nacionais de Engenharia.
Com sua gráfica ativa e um dos poucos lugares onde ainda era possível haverem reuniões o CAASO sediou a maioria das reuniões da UNE e colaborou com publicações para várias entidades estudantis que necessitavam. Nos meados da década o centro acadêmico participou ativamente de protestos por melhorias nas condições de ensino, contra o assassinato do Jornalista Wladimir Herzog e lutas por assistência estudantil e uma greve onde os estudantes se negaram a aceitar assinar as listas de presença permanecendo um semestre sem assiná-las por não concordar com o controle de freqüência da forma como foi implementado.Em 1979 a UNE enfim ressurge em um processo no qual o CAASO participou ativamente.
Na década de 80 seguem-se lutas ferozes contra a ditadura militar, por eleições livres e democráticas, pela instalação de uma Assembléia Constituinte livre e soberana. O CAASO reorganiza-se internamente, com ampla reforma administrativa. Os alunos voltam a participar de todas as atividades do centro, primando o caráter apartidário da entidade e o respeito à pluralidade ideológica partidária e filosófica do conjunto de todos os alunos.
A partir de 84 começam as passeatas por eleições diretas para garantir uma sociedade democrática. As eleições diretas são também pauta dos estudantes para Reitor além de lutas por assistência estudantil e pela garantia do ensino público e gratuito. Essas bandeiras seguiram na ordem do dia do CAASO ao longo do final da década de 80 e toda a década de 90.
Nos anos 2000 o CAASO segue sua luta e mobilizações por assistência estudantil, democracia na Universidade e pela qualidade do ensino. Houveram três grandes greves na USP (em 2002, 2004 e 2007), onde em 2007 foi preponderante a participação dos estudantes do CAASO em todo processo de mobilização pela autonomia universitária, democracia interna na USP, além de melhorias e garantias nas práticas de permanência estudantil.

















